CASE FABRICANTE

AB InBev — BEES e Zé Delivery

Quando a indústria transforma distribuição em plataforma, no B2B e no D2C

A AB InBev não tentou desintermediar o canal. Ela tentou orquestrá-lo digitalmente — criando dois modelos complementares, ambos com lógica de plataforma: BEES no B2B e Zé Delivery no D2C.
Versão preliminar Conteúdo em revisão — refinamos a curadoria editorial em ciclos semanais.

Tese Central

Uma indústria estruturalmente B2B avançou em duas frentes ao mesmo tempo. A AB InBev não fez uma escolha binária entre B2B e D2C. Ela fez ambos — porque cada um resolve um problema diferente na cadeia de distribuição.

A vantagem competitiva não está apenas no produto, mas na capacidade de orquestrar digitalmente toda a cadeia — da indústria ao ponto de venda, e do ponto de venda ao consumidor final.

O Ponto de Partida

AB InBev é a maior cervejaria do mundo. Opera em mais de 40 países, com 137 mil colaboradores e 192 cervejarias. Seu modelo é estruturalmente B2B: a receita vem de bares, restaurantes, distribuidores, supermercados — não do consumidor final direto.

Receita Global 2025
US$ 59,3B
crescimento orgânico 1,5%
EBITDA Normalizado
US$ 21,2B
margem 35,8%
Volume Global
561,1M
hectolitros produzidos
Clientes Globais
6M+
varejo ativo em seus mercados

O desafio: como digitalizar uma cadeia que envolve milhões de pontos de venda, com frequências diferentes, capacidades tecnológicas distintas, e necessidades que variam por contexto geográfico?

O BEES: De Pedidos a Plataforma

Surgiu como ferramenta de e-commerce para digitalizar a relação entre indústria e varejo. Mas evoluiu para algo maior: um ecossistema B2B completo, que toca em e-commerce, automação comercial, pagamentos, recomendação baseada em IA, e marketplace de terceiros.

Presença
29
mercados onde opera
GMV Transacionado
US$ 52,5B
crescimento YoY +12%
Receita Digital
72%
da receita transacionada
Clientes Ativos
6M+
varejistas conectados

BEES Marketplace

Um componente crescente e crítico. Não é apenas AB InBev vendendo para o varejo. É AB InBev orquestrando uma rede de marcas terceiras que vendem através do varejo — ampliando o valor para todos os envolvidos.

GMV de Terceiros
US$ 3,5B
crescimento YoY +61%
Pedidos Processados
50M+
volume anual
Marcas Parceiras
500+
terceiros no marketplace

BEES Force

O braço de força de vendas aumentada por IA e automação. Desde 2023, conseguiu aumentar 42% o tempo que força de vendas passa interagindo com varejistas (reduzindo tempo administrativo). NPS de 68. Reconhecimento de imagem para garantir correto cumprimento de displays no ponto de venda. Routing otimizado por IA.

Tempo com Varejistas
+42%
desde 2023
NPS BEES Force
68
avaliação de satisfação

A Economia do B2B Digital

Não é mágica. É aritmética. O B2B digital só funciona onde a física econômica o suporta. No caso da cerveja no varejo, existem quatro pilares que tornam isso verdade.

1

Densidade

A AB InBev vende para milhões de pontos de venda. O volume é alto e previsível. Isso significa que os custos de infraestrutura (plataforma, dados, IA) podem ser diluídos em uma base muito grande.

2

Recorrência

Um bar ou restaurante não compra cerveja uma vez. Compra todo dia. Essa frequência melhora a previsibilidade de demanda e permite que a empresa execute com menos variabilidade e custo.

3

Diluição de Custo

O digital reduz intervenção humana. Menos força de vendas necessária para pedidos de reabastecimento. Mais eficiência em pagamentos, logística, controle de estoque. Menos erro, menos devolução.

4

Share of Wallet

O BEES permite vender mais categorias de produtos no mesmo ponto de venda. Ampliar a participação do varejista na receita de um bar não é apenas crescimento — é cross-selling estruturado.

Zé Delivery: O D2C como Ativação da Rede

Criado em 2016 como um marketplace de bebidas. Ganhou escala durante a pandemia (2020). Mas — e isto é crucial — a AB InBev não construiu um D2C clássico. Construiu uma plataforma de local commerce apoiada na rede de distributores existente.

A lógica: ao invés de criar infraestrutura própria de entrega, usou os distribuidores como fulfillment centers. Transformou a rede tradicional em uma rede de consumo direto sem precisar destruir o modelo B2B.

Receita Ecossistema DTC
US$ 1,3B
crescimento +8%
Pedidos Zé+TaDa+PerfectDraft
76M
volume anual
Receita D2C Combinada
US$ 550M
Zé + TaDa + PerfectDraft (+8%)
Consumidores Ativos
11,1M
globalmente no ecossistema

Zé no Brasil

67 milhões de pedidos no Brasil em um ano. Presente em 550+ cidades com Modo Turbo (entrega em 15 minutos). Isso não é possível sem uma rede de microcentros de distribuição. E quem tem essa rede? Justamente a infraestrutura que AB InBev já tinha para o B2B.

Pedidos Brasil
67M
volume anual
Cobertura Turbo
550+
cidades com 15min de entrega

As Quatro Funções Estratégicas do Zé

1

Demanda Incremental

Zé cria consumo que não existiria no modelo B2B puro. O ocasional que compra cerveja em casa sem sair. Incrementa o mercado total.

2

Dados do Consumidor

B2B com varejo nunca dá acesso ao comportamento do consumidor final. Zé dá. A AB InBev vê preferências, frequências, sazonalidades — dados que retroalimentam produto e marketing.

3

Fortalecimento de Marca

Zé é um canal premium. Associa a marca a conveniência, modernidade, tecnologia. Reforça posicionamento junto ao consumidor final que BEES nunca toca.

4

Sem Destruir o Canal

Porque usa a rede existente, não compete diretamente com varejistas. O distribuidor que antes vendia apenas para bares agora também vende para consumidor — e lucra em ambos os lados.

Brasil como Laboratório

O Brasil representa 15% da receita global da AB InBev e 14,1% do EBITDA ajustado. É o segundo maior mercado. E é também o laboratório onde a empresa testa integração entre BEES e Zé.

% Receita Global
15%
Brasil entre 40+ mercados
% EBITDA Ajustado
14,1%
contributivo significativo

Volume caiu 4,1% (clima desfavorável em 2024-2025), mas premium cresceu high-teens. Marcas no-alcohol cresceram 30% em volume no Brasil — mostrando que BEES + Zé conseguem distribuir e ativar categorias novamente criadas.

BEES Marketplace no Brasil: crescimento de 78%. Isso não é crescimento de cerveja AB InBev. É crescimento de toda a categoria de bebidas e alimentos que passa por seu ecossistema.

Brasil é simultaneamente o mercado de maior receita, a demonstração de que o modelo B2B + D2C funciona, e o laboratório onde novas categorias e novos modelos são testados antes de escalar globalmente.

Crescimento do Ecossistema Digital AB InBev

O Que Este Case Prova

BEES organiza o supply side. Zé organiza o demand side.

Não são competidores internos. São complementares. BEES eficientiza o B2B tradicional. Zé cria uma nova categoria de demanda. Juntos, expandem o mercado total para AB InBev em duas dimensões.

Duas Frentes, Uma Estratégia

BEES (B2B)

Modelo Dominante
  • 29 mercados operando
  • US$ 52,5B GMV
  • 6M+ varejistas
  • 72% receita digital
  • Marketplace US$ 3,5B

Zé Delivery (D2C)

Modelo Complementar
  • 11,1M consumidores
  • US$ 1,3B receita DTC
  • 76M pedidos/ano
  • 550+ cidades Brasil
  • Infraestrutura compartilhada

A Lição Estratégica

Uma indústria não precisa escolher entre B2B e D2C. Quando a física econômica suporta, quando a infraestrutura permite, quando a regulação não bloqueia — é possível orquestrar ambos simultaneamente.

A AB InBev provou que a verdadeira vantagem competitiva em uma indústria de distribuição é a capacidade de estruturar e orquestrar digitalmente toda a cadeia — da produção ao ponto de venda, e do ponto de venda ao consumidor final.

Infraestrutura Compartilhada

BEES e Zé usam a mesma rede de distribuição. Ganhos de escala em custo de infraestrutura, dados, tecnologia.

Complementaridade

Não competem. BEES aumenta eficiência do B2B. Zé cria novo mercado. Resultado: maior PIB para AB InBev.

Dados Bi-Direcionais

BEES oferece visibilidade ao varejista. Zé oferece visibilidade ao consumidor. Juntos, oferecem inteligência completa.

Escalabilidade por Mercado

Cada mercado tem diferentes níveis de maturidade digital. A estrutura permite customizar — B2B primeiro, D2C quando pronto.

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